A HERANÇA DO INDIGENATO NA GESTÃO DE PESSOAS: BARREIRAS INVISÍVEIS PARA O HOMEM PRETO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CONTEMPORÂNEA

Autores

  • Elídio Sozinho Instituto Superior Politécnico Alvorecer da Juventude - ISPAJ, Angola

Palavras-chave:

Administração Pública, Lei do Indigenato, Racismo Institucional, Angola-Portugal, Identidade Preta

Resumo

Este artigo analisa como os mecanismos de exclusão do período colonial (1926-1961) se transmutaram em barreiras sistêmicas ao acesso ao emprego público no século XXI. Defende-se que a Administração Pública, tanto em Angola como em Portugal, ainda opera sob paradigmas de "perfil ideal" que favorecem a branquitude, fruto de uma construção histórica que associou o termo "Negro" à incapacidade técnica e o "Branco" à competência administrativa. Segundo Mbembe (2018), a "marca do Negro" foi utilizada como um selo de exclusão para justificar uma humanidade subalterna, cuja utilidade era puramente mecânica, uma lógica que ainda ecoa nos processos de selecção contemporâneos que invisibilizam o talento preto. Adicionalmente, o estudo explora a persistência desta "querência" colonial na burocracia estatal, na qual a meritocracia é frequentemente aplicada de forma enviesada, ignorando as disparidades no capital histórico acumulado. O paradigma do acesso ao emprego não é apenas uma questão de qualificação técnica, mas também de um "desarmamento terminológico" urgente. Ao manter o uso do termo "Negro" como metáfora do erro ou da ineficiência, o "lado escuro" da administração, o sector público, perpetua um tecto de vidro que impede a plena ascensão do homem preto. O estudo propõe, portanto, uma reforma profunda tanto na linguagem institucional quanto nos métodos de avaliação, visando desmantelar este paradigma e reabilitar a dignidade da cor preta como símbolo de excelência e liderança administrativa.

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Referências

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Publicado

2026-03-13

Como Citar

Sozinho, E. . (2026). A HERANÇA DO INDIGENATO NA GESTÃO DE PESSOAS: BARREIRAS INVISÍVEIS PARA O HOMEM PRETO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CONTEMPORÂNEA. ALBA - ISFIC Research and Science Journal, 1(11), 325–332. Obtido de https://www.alba.ac.mz/index.php/alba/article/view/1038