EXISTÊNCIA DE STRESS PROFISSIONAL NA CARREIRA DOS DOCENTES UNIVERSITÁRIOS EM ANGOLA, MITO OU REALIDADE? ESTUDO DE CASO SOB ABORDAGEM DAS ETAPAS DE CARREIRA
Palavras-chave:
Stress, Carreira, Etapas da carreira, Entrevista, Abordagem qualitativaResumo
Esta investigação visa identificar o stress nas diferentes fases da carreira docente: exploração, desenvolvimento, rotina e desengajamento. Com uma amostra não probabilística de 20 docentes universitários, a pesquisa utilizou entrevistas semiestruturadas para a coleta de dados qualitativos, com base num guião previamente testado. Os resultados indicam que a intensidade do stresse varia conforme a etapa da carreira. Na etapa de exploração, os professores relataram altos níveis de stress devido à sobrecarga de trabalho, exigências contraditórias e falta de clareza nas tarefas. Na etapa de desenvolvimento, reconheceu-se a sobrecarga, mas os docentes sentiram necessidade de demonstrar competência, embora a autonomia fosse limitada. Na etapa de rotina, apesar da carga de trabalho, houve suporte social, o que reduziu a intensidade do stress. Na etapa de desengajamento, o stress foi baixo, refletindo uma diminuição do interesse e frustração. Conclui-se que o stress é mais intenso nas etapas iniciais da carreira (exploração e desenvolvimento) e diminui nas fases de rotina e desengajamento, sugerindo a necessidade de políticas institucionais de apoio, acompanhamento e clarificação de funções, especialmente direcionadas aos docentes em início de carreira, como estratégia de promoção do bem-estar e da eficácia profissional.
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